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Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir…
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada…
"
— Socorro! - Arnaldo Antunes
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Brasil.
estopim:
14 anos,profissão:Traficante,
Ladrões no poder.
Samba.
Prostituição infantil,
caixa dois.
Corrupção.
Fome no nordeste
desperdício no sul.
Seca rural
enchente urbana.
Cracolândia.
Gay que luta por adoção
hétero que joga filho no lixo,
direitos humanos representado pelo pai do preconceito.
Exclusão.
Casaco de grife pra poucos
cobertor de papelão pra tantos.
Individualismo.
Futebol,
salário mínimo.
sub mundo
bolsa família
menor que cheira cola.
Vivendo ou sobrevivendo.
Brasil, um país de todos?
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"Falecimentos bizarros acontecem todos os dias. Alguns engasgam-se com tampas de caneta, outros jogam-se dos parapeitos de edifícios sem que antes seus problemas tenham completado quinze anos. O que a morte proporciona? Paz, certos pessimistas dizem. Mas e quanto aos suicidas e políticos? Ah, estes demônios não terão perdão e nem privilégios. Que o inferno seja-lhes suficientemente confortável. Não é o que dizem? Ora, controvérsias extremas. Há também os mais vividos que garantem que a morte nada mais é que uma vida eterna, um prologamento da carne em espírito. Mas se é morte, não pode respirar. Se é morte, não pode ser alegre. E a vida também é feita de sorrisos. Os que dizem viver em lágrimas de luto são minimamente iniciantes na hipocrisia. Se a morte for sorridente, decerto há um velho milionário com familiares derramando prantos crocodilianos. Em mesas de bares, morte é esquecimento. Esqueci-me então de dizer que saudades também fica. Mas se é saudade e esquecimento, não pode ficar. Eu discordo também dos que dizem que morrer é reduzir-se ao pó. O que somos além de poeira colada com poesia? O túmulo só nos é útil quando não queremos mais que os ventos nos despedacem. Perdi as contas de quantos de mim já se foram, levados pela brisa da desistência. Com certeza, a morte é a mais sublime das rendições. Ah, lembrei-me de outra definição… A morte é única certeza da vida. Pois eu não tenho certeza de nada. Ninguém que está morto volta para dizer se morreu de verdade. Talvez estejamos todos vivendo um grande sonho ou pesadelo em que morrer se resuma ao abrir das pestanas. E todos os grandes mercenários digam que a morte existe como uma coisa ruim, apenas para que não queiramos acordar também. Talvez a vida seja um imposto. Um monstro invisível quer nossos sofrimentos, nossas lamúrias, nossos ideais. Talvez alguém nos devore e nos sugue pouco a pouco, até não termos mais nada para oferecer. E o que nos dão em troca são flores, velas e um crucifixo. Se a morte é ruim, eu não sei. Se a morte é maravilhosa, eu tenho minhas dúvidas. Mas que conheçam-me como um suicida, que eu ofereça a minha vida em holocausto. Antes que o véu negro cubra a minha face, eu tenho um último pedido, se é que meu último pedido não seja o primeiro: Se possível for e se o teu veneno me sobrar, eu quero morrer de amor."
— Cinzentos (via arcadico)